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MÍDIA LIVRE

Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"

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Está de volta a biblioteca virtual do Diplô Brasil. Vêm em breve novo site, rede social e laboratório permanente de jornalismo colaborativo. Ideia é ajudar a construir, na web 2.0, uma comunicação capaz de enxergar o tempo de enormes transformações que vivemos

(23/03/2010)

A galáxia da mídia livre brasileira acaba de se expandir um pouco mais. A equipe que fundou o Le Monde Diplomatique Brasil e o editava até março de 2009 lançou, no último fim-de-semana, a Biblioteca Diplô (www.diplo.org.br), que oferece os mais de 2,5 mil textos publicados pelo jornal a partir de 1999. Também colocou no ar, ainda em fase embrionária, a iniciativa onde concentra a maior parte de seus esforços: o site Outras Palavras (www.outraspalavras.net). Em torno dele deverão surgir, nas próximas semanas, um grupo de colaboradores, uma rede social e uma série de oficinas para formação em jornalismo colaborativo.

Articuladas entre si, as iniciativas visam atualizar o projeto que levou à criação, há uma década, da edição brasileira do Diplô [1]. Procuram retomar um jornalismo que se tornou conhecido pela profundade e espírito crítico. Mas pretendem associar estas virtudes à revolução da web 2.0, das trocas par-a-par e da difusão não-mercantil de informação e outros bens culturais. A aposta é que tais tendências podem superar a mídia de massas e o controle social exercido por ela, estabelecendo novas relações entre o ser humano e a narrativa do presente. Tornar real esta possibilidade exigirá, porém, trabalho, compartilhamento, alma e criação. É a esta aventura coletiva que Outras Palavras procurará somar-se, nos próximos anos.

Em todas as novas publicações há novidades, a começar pela Biblioteca Diplô. O acervo, visitado a cada dia por cerca de 1,5 mil leitores em busca de informações e análises qualificadas, continua organizado por temas, autores, datas, países e regiões do mundo. Os mais de 700 artigos produzidos, entre outubro de 2006 e março de 2007, por 76 colaboradores brasileiros e latino-americanos podem ser agora encontrados num índice à parte. Seções especiais, na página de entrada do site, destacam o caráter internacional do jornal, apresentando as últimas atualizações no Le Monde Diplomatique francês, português e na edição em língua inglesa. Pode-se acessar diretamente cada texto, com um clique de mouse.

Mas a inovação principal são textos que atualizam o acervo, relacionando fatos correntes muito relevantes com artigos já publicados pelo jornal. O leitor intrigado com a recente decisão do governo israelense, de retomar a colonização do território palestino e de Jerusalém Oriental é convidado a examinar artigos em que Diplô descreve o poder crescente exercido pelos generais de Israel sobre a política de seu país. Aos que se preocupam com o futuro de Cuba, sugere-se textos sobre os desafios, dilemas (e esperanças) da era pós-Fidel. Para saudar o 94º aniversário da Teoria Geral da Relatividade, de Einstein, propõem-se reflexões sobre tempo, ciência e utopia, após a queda das certezas da modernidade. A intenção da nova Biblioteca é apresentar aos internautas, diversas vezes por semana, uma breve reflexão sobre assunto nacional ou internacional de destaque – e um dossiê de artigos a respeito.

Os dossiês poderão incluir textos de outras fontes, com a mesma profundidade de Le Monde Diplomatique. Em muitos casos, tais artigos serão incorporados à Biblioteca. Esta flexão deve-se a uma mudança saudável. O universo da mídia livre internacional diversificou-se muito, na última década. O Diplô, que era, nos anos 1990, praticamente a única voz destoante do pensamento único, é hoje uma publicação entre dezenas de outras, igualmente qualificadas. Nada justificaria continuar a tomá-lo como publicação isolada.

Outras Palavras reunirá grupo de colaboradores. Equipe de redação contribuirá com matérias e posts sobre fatos nacionais e internacionais destacados

Ir além do jornal francês foi uma preocupação constante da equipe que conduziu o site de Le Monde Diplomatique até março de 2009. Outras Palavras marcará um longo passo adiante, neste rumo. O novo espaço reunirá um grupo aberto de colaboradores brasileiros, em formação. Além disso, uma pequena equipe de redação acompanhará a conjuntura nacional e internacional, postando diariamente um conjunto de notas ou breves matérias sobre fatos destacados. A intenção é sugerir a possibilidade de outro jornalismo. Alguns exemplos do que se pretende, produzidos experimentalmente há algumas semanas, podem ser encontrados em "Sea Shepherd, a guerrilha do mar", Os ingleses querem o petróleo das Malvinas ou "40 horas: o debate oculto.

São textos produzidos em poucas horas, com base em centenas de fontes alternativas, que permitem enxergar o que a mídia de mercado não se esforça em ver (e, muitas vezes, procura ocultar...). A partir deles, e após pesquisa e redação mais elaboradas, a equipe de Outras Palavras colabora com publicações impressas ou eletrônicas também envolvidas na construção de um novo jornalismo. Entre estas, estão a Agência IPS (para quem escrevemos uma série especial de matérias sobre o 10º Fórum Social Mundial) e as revistas Retrato do Brasil e Fórum. A preocupação em agregar esforços com outras inicitivas de mídia livre está presente, aliás, na própria página de entrada do novo site. Na coluna lateral direita, é possível acompanhar e acessar as últimas novidades publicadas num conjunto de sites e blogs independentes. O repertório será ampliado, nos próximos dias.

Outras Palavras vê a emergência da comunicação compartilhada como uma das possíveis transformações civilizatórias de nosso tempo, uma semente de pós-capitalismo. Sociedades que dependem de um pequeno grupo de indivíduos ou empresas, para a narrativa de seu próprio presente, podem ser mais facilmente controladas. A possibilidade de sermos todos comunicadores, de trocarmos com o mundo, sem intermediação, nossos relatos, opiniões, inquietações e utopias é imensamente transformadora. Mas a comunicação é, também, um conjunto de éticas, linguagens, técnicas e tecnologias cujo conhecimento pode ser decisivo para receber, interpretar, reprocessar criticamente e retransmitir ideias.

Visando contribuir para difusão (e reelaboração constante) destes saberes, Outras Palavras promoverá, a partir de abril, um laboratório permanente de comunicação compartilhada. Em 2010, ele terá a forma de um conjunto articulado de oficinas semanais, em duas modalidades. A cada quinze dias, um jornalista ou comunicador experiente irá expor aspectos de sua trajetória, abordando em especial as possíveis contribuições para a nova era do jornalismo compartilhado.

Também quinzenalmente, mas em semanas alternadas, haverá oficinas sobre as técnicas e tecnologias da mídia digital. Darão ênfase a algo em geral pouco destacado, em iniciativas semelhantes: as formas de captar, selecionar e "traduzir"as informações disponíveis, em múltiplos formatos, no novo universo das mídias livres. Haverá também sessões mais práticas: por exemplo, sobre como organizar uma rede social, uma TV ou rádio digital. Os participantes das oficinas serão estimulados a propor matérias, em diversos meios. Poderão ser publicadas no site Outras Palavras ou numa rede social em construção (interessados em contribuir com ela podem acessá-la e ingressar, desde já, em http://outraspalavras.ning.com).

O projeto é atraente e a disposição, enorme. Há espaço, desde já, para colaborações em textos, traduções, webdesign, programação, captação de recursos e administração financeira

O laboratório permanente é parte dos projetos para um Ponto e Pontão de Cultura. Formulados por Outras Palavras, foram selecionados em dois concursos promovidos em 2009, no âmbito do programa Cultura Viva, do ministério da Cultura. As oficinas ocorrerão em São Paulo. A participação presencial estará aberta a 25 pessoas – entre elas, estudantes de ensino superior, integrantes de Pontos de Cultura e ativistas de movimentos sociais. Mas os eventos terão transmissão ao vivo, por internet, e os tele-participantes serão igualmente convidados a colaborar com os sites. O Pontão de Cultura, ainda em fase de constituição, resulta de uma parceria com a revista Viração e incluirá, entre outras atividades, um seminário nacional sobre mídias livres, possivelmente em julho.

Para tornar real este amplo leque de ações, e muitas outras a que a construção da mídia livre convidará, Outras Palavras precisa de colaboração. O projeto é atraente e a disposição, enorme; mas os recursos financeiros, ainda insuficientes. É mais que benvindo o apoio de interessad@s em contribuir — e não apenas editorialmente. Há também espaço, desde já, para voluntári@s em administração financeira, captação de recursos, webdesign, programação, organização de eventos, traduções. O lançamento do laboratório permanente permitirá formar, aos poucos, uma rede de pesquisa e produção de informações sobre temas específicos.

Por volta da virada do século, começou a se desenvolver uma nova cultura da transformação do mundo. Ela baseia-se, entre outros pontos, na noção de que mudar as relações sociais não é algo que se transfere nem para instituições ou grupos políticos, nem para o futuro. É parte de decisões concretas, que adotamos todos, incessantemente, em nosso quotidiano – e em alguns momentos se desdobram em grandes ações coletivas.

Em torno desta ideia, estão florescendo formas muito concretas de construção do pós-capitalismo – todas igualmente importantes. Os Fóruns Sociais revelam a possibilidade de organizar ações transformadoras em ambientes que substituiem a antiga direção vertical (e as disputas entre a própria esquerda) pela valorização da diversidade, horizontalidade e consensos. As comunidades de sofware livre e as redes cooperativas, de uma maneira geral, indicam que a colaboração pode superar a competição, como forma eficaz de produzir riquezas (além de ser, evidentememente, muito mais humana, igualitária e prazerosa...).

A ideia de cultura livre tira proveito da convergência digital para romper os vínculos que atavam arte a mito, "celebridade" e dinheiro – permitindo que múltiplos talentos e artistas, sufocados pelos limites do modelo anterior, produzam e tornem-se visíveis. Em oposição aos riscos de desastres ambientais, surgem concepções que já não vêem a natureza como mero "recurso" e defendem submeter os padrões de consumo aos novos laços que é preciso estabelecer com o planeta.

A comunicação compartilhada, ou "mídia livre", pode abrir caminho para semear estas novas relações – e muitas outras, que continuarão surgindo no rastro da nova cultura de transformação do mundo. Para isso, precisa retirá-las da invisibilidade a que são normalmente relegadas pela mídia de mercado; examiná-las com cuidado; desvendar os sinais de novos mundos que nelas estão latentes; compará-las com as velhas lógicas, presididas por desigualdade, autoridade, conflitos e devastação. Mergulhada nesta tentativa, de futuro ainda incerto porém tão atraente, a equipe de Outras Palavras convida você a se envolver também... (Antonio Martins begin_of_the_skype_highlighting     end_of_the_skype_highlighting)



[1] Hoje sob responsabilidade do Instituto Pólis e abrigada em www.diplomatique.org.br

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